Estive na festa mais chata do mundo. E ela foi na minha
casa. Terminei uma temporada teatral bacana e quis dar uma comemorada. Convidei
a galera pra ir pra minha casa confraternizar e fazer amor, ou amor de mentira.
Geralmente fico nervoso quando sou anfitrião, mas nem fiquei tanto. Ou, pelo
menor, nesses últimos tempos tenho conseguido controlar algumas ansiedades.
Ainda bem que eu controlei as expectativas. Foi só meu amigo Simão e um
coleguinha de negócios burocráticos comerciais e gerenciais. Foi uma noite
interessante.
Fui ao mercado e dei uma nota de 50 pra moça do caixa pra
trocar por uma caixa de Kaiser, dois pacotes grandes de salgadinho (Cheetus e
Fandangos), um vinho barato sem rolha, um Nestea Pêssego pra Luísa e dois Marlboros
light maço. O troco uma moeda de 25 centavos.
Bom, foi uma noite boa de conversa boa. Bebi algumas
latinhas de cerveja. Fumei bastante. Mas fui controverso. Ali em cima eu disse
que não estava criando muitas expectativas, mas acho que eu tava sim. Por fora
queria parecer blasé, mas fiquei um
pouco decepcionado. Queria muito me exibir. Exibir minha casa, meus amigos,
minhas fotos, tudo o que é “meu”, tentando resumir o que eu sou. Queria uma
festa bem egocêntrica pra galera do teatro. Talvez tenha sido bom ter sido como
foi.
Essa foi minha grande festa de merda. Será que digo que foi
uma festa? Qual o critério pra chamar de festa. O que sei, é que foi um
encontro marcado para interagir e se divertir. Agora, a potência de alegra
varia de acordo com o evento. Foi uma festa. Foi, sim. Uma festa cordial.
Arredores do CONIC, 00h:30min, as senhoritas começam a chegar para mais uma noite de trabalho.
O ambiente é o mesmo de outubro que vem.
Macário - Eu vejo-os. É uma sala fumacenta. À roda da mesa estão sentados cinco homens ébrios. Os mais revolvem-se no chão. Dormem ali mulheres desgrenhadas, umas lívidas, outras vermelhas... Que noite!
Satã - Que vida! não é assim? Pois bem! escuta, Macário. Há homens para quem essa vida é mais suave que a outra. O vinho é como ópio, é o Letes do esquecimento... A embriaguez é como a morte...
Macário - Cala-te. Ouçamos.
Será tudo isso um sonho? Ou uma lembrança do passado?
Eu acabo de chegar, mas o vinho e o absinto que misturei para viver esta experiência já começam a turvar minha visão.
As pessoas que passam por mim não tem face.
Após os vapores do vinho, os vapores da fumaça!
Misturar mais alguma coisa vai fuder com minha consciência nessa noite.
Entremos!
Senhores, em nome de todas as nossas reminiscências, de todos os nossos sonhos que mentiram, de todas as nossas esperanças que desbotaram, uma última saúde! O fumo é a imagem do idealismo, é o que há de mais vaporoso naquele espiritualismo que nos fala da imortalidade da alma! E pois, ao fumo, ao vinho e à imortalidade da alma!
O gozo foi fervoroso!
A madrugada passava já frouxa nas janelas. Àquele calor de meu peito, à febre de meus lábios, à convulsão do meu amor... Luz sombria...
Dos filmes abaixo, acionando o play em todos ao mesmo tempo, talvez traga a real sensação de como estava minha cabeça.
Não sabia mais nada do que se passava, sabia apenas que minha cabeça escaldava de embriaguez.
Nos lábios de todas as criaturas daquela noite eu bebera até a última gota o vinho do deleite...
Quando dei por mim estava encostado numa parede num lugar escuro, eu vomitara quase todo meus intestinos naquele chão pútrido.
As estrelas passavam seus raios brancos entre as vidraças de um templo.
A noite ia alta: a orgia findara. Os convivas dormiam repletos, nas trevas.
Resolvi ir embora daquele antro de perdição no interior mais secreto do coração da capital.
Uma mulher fala comigo na calçada, e não sei se sonhei ou se as palavras foram reais:
- E que me importa o sonho da morte? Minha situação amanhã seria terrível: e à cabeça apodrecida do cadáver não ressoam lembranças; seus lábios gruda-os a morte: a sepultura é silenciosa. Morrerei!
Ela chorava muito, sua maquiagem escorria dos olhos como lama negra pela face.
Ela foi andando de costas e olhando pra mim com um olhar penetrante e misterioso. Nunca mais a vi.
A noite ia alta.
Não consigo dirigir direito, ainda estou embriagado, curiosamente lembro das campanhas estúpidas deste governo estúpido e correto.
Giorgias por todos os lados, embaixo das pontes e tesourinhas. As luzes da cidade modernista iluminam o grande templo.
Dirijo de olhos fechados para sentir o cheiro nojento que a cidade me traz. Um estrondo ensurdecedor.
Não sei o que aconteceu.
Titulo da Festa: Let's Club - "Babado & Confusão querida! 2 anos”
Data: 22/06
A Victoria Haus é uma casa noturna voltada para o público GLS que se encontra no SAAN (Setor de
Armazenagem e Abastecimento Norte). Ela abre geralmente às sextas e sábados e cada
dia possui um tema diferente, carregando também o nome de uma festa, por
exemplo: Todas às sextas é dia da Let’s Club e nos sábados há uma alternância
em relação aos nomes das festas.
BCQ é um Blog também voltado ao público GLS onde abordam novidades, vexames, curiosidades
entre outras coisas, relacionadas ao
mundo das celebridades e esse Blog está comemorando os seus 2 anos de existência
na Victoria Haus com direito até a vídeo de divulgação!
Entramos eu e minha namorada(Izabella) e imediatamente fizemos o que
quase todos fazem(acho) assim que entram em uma boate: procurar amigos ou
qualquer pessoa conhecida. Embora eu tenha amigos que frequentam aquela festa “religiosamente”,
naquele dia não consegui ver ninguém conhecido assim de primeira.
Com a Izabella isso já é quase impossível pois ela é dançarina do grupo de
dança que faz as performances/shows no
palco junto com as drag queens. Ela conhece muito mais gente frequentadora
daquele lugar e de baladas do que eu.
Enfim...
Após alguns minutos encontramos um
amigo dançando e ficamos um tempo lá com ele. Fui perguntar para ele como anda a
vida, os planos ( que clichê né minha gente)
mas é isso que fazemos. Ele me contou das viagens feitas no ultimo mês e
dos planos profissionais que provavelmente irão se concretizar (espero) e logicamente
a ação de falar os planos se inverte. Eu comecei a falar os meus ao mesmo
tempo em que analisava as possibilidades e as dificuldades de executar os
mesmos.
O engraçado é que fizemos isso meio “dançando”
e sendo iluminados por aqueles Movie
Light’s( Refletores utilizados em boates e shows) e a música rolando e ele
dançando (Eu não, porque eu não sei, infelizmente). Depois saímos para comprar
algo para beber (é impressionante! Piso naquele lugar e já fico morrendo de
sede) e esperar a apresentação da noite que era uma versão Drag do programa
Casos de Família (Gostei muito da produção). Assista o vídeo:
Após o fim da apresentação,
voltamos para casa. Eu tinha apenas 4 horas para dormir, pois tinha ensaio logo
de manhã. Meus ouvidos ainda estavam com aquele zumbido causa do som alto e não
conseguia dormir pensando na outra festa que iria no domingo.
Mas a festa do domingo ia ser uma festa de
aniversário com piscina e futebol de sabão. Nunca joguei futebol de sabão ,então eu estava pensando no motivo da empolgação
em brincar nessas coisas teoricamente "infantis". Comecei a me lembrar que 80% das coisas divertidas que eu fui e fiz nos últimos
anos tinham esse caráter meio “infantil”
e obviamente comecei a questionar o por quê que estou pensando nisso, se eu
deveria estar dormindo...putz!!! falta 3 horas para o
ensaio....zzzzzZZzzzzzZZzzzZZZZzzz