terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Ufa! Liquí 2016! Foram cinco anos num só!



Este ano temeroso e crisento foi também um ano muito transformador e emocionante. Muitos foram os encontros, as redes e as incríveis vivências que passamos. A gente passa pra 2017 acreditando que podemos Re-existir nos encontros afetivos, na convivência de fato, no treino diário da empatia e resiliência!
Agradecemos á todas as lindezas que cruzaram nossos caminhos que se bifurcam.
Fevereiro***
ULTRA!! Foi o Ultra-Romântico mais potente de todos os tempos. O projeto cresceu, criou asas, se bifurcou por uma série de linguagens e amores mils. Fica nosso carinho eterno aos nossos parceiros desse projeto que perece que nem foi esse ano de tanta saudade que já deu de conviver com Cantigas BoleráveisCorpos InformáticosGrupo TripéAlgodão ChoqueDiego AzambujaGregório SoaresDeltaFoxxBruno AntunStarllone SouzaMarcos DaviAna LuisaLa Conga RosaMárcio H MotaDesvio Produções CulturaisTamara MaravilhaProtofonia. Que equipe! E nosso projeto dedicado ao Mateus Gandara que nos deixou antes de se concretizar.
Um dia a Ratoeira do Dulcina volta a tremer como merece!
 
 
 
 


Março***
Fizemos a produção local do Teatro Oficina Uzyna Uzona na CAIXA Cultural Brasília e foi um arraso! Muitos afetos trocados, agradecemos muito toda a lindeza que vocês são! 


Abril***
Égua Véi! Conexão Elétrica! Fomos pra Belém trocar saberes e amores com as bunitezas do Dirigível Coletivo de Teatro. Lá também fizemos temporada do Janta 1 e estreamos o Janta 2.
Nosso carinho imenso à galera do Casarão Do Boneco, do Sesc Bulevar e Da Tribu que nos receberam com muita alegria.
Que em 2017 essa Conexão continue. Agora é a vez de vocês virem pra cá né? A estrada Belém-Brasília só cresce.




Junho***
Estreamos nosso próprio curso de teatro o Teatro Elétrico - Curso de Teatronasceu com uma montagem linda do texto do Murilo Rubião A TRAGÉDIA DO EX-MÁGICO. 


Novembro***
Fizemos a produção local da Cia Luna Lunera de BH aqui no CCBB Brasília! Já nos conhecíamos desde 2013, mas dessa vez foi pra gente firmar as convivências. Temos só que agradecer por vocês serem tão fofos, delicados e afetuosos em tudo que fazem na vida e no trabalho artístico de vocês!




Dezembro***
Foi o momento de firmar nosso Teatro Elétrico e montar SETE A UM CONTRA TEBAS. Buscando novas éticas através de outras experiências estéticas. Estamos muito felizes de poder vivenciar trocas com pessoas que se iniciam no teatro, mas que trazem suas próprias experiências pra cena, Foi um processo muito intenso e gratificante para nós do grupo, uma troca de saberes que vão ressoar por um bom tempo! Agradecemos vocês por toparem nossas brincadeiras elétricas Anderson Falcão Adriano Almeida Dal Dal Flavia Brito Luiza Fiúza Bruno Antun Duda Antonio Maiô Igor Benicasa Lara Jennyfer Camila Medeiros Renato Jorge Ernesto BarrónMelissa Luz



Pronto, isto foi o 2016 do Liquidificador Elétrico que espera um 2017 melhor pra todo mundo! Que para esse ano nossas situações políticas existenciais se transformem. Vá simbora 2016. Bjs bjs!


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domingo, 18 de dezembro de 2016

Trilha Sonora "Sete a Um Contra Tebas"





O Teatro Elétrico, chegou na sua segunda turma, montamos a peça  "Sete a Um Contra Tebas", uma reescritura do texto do Ésquilo "Os Sete Contra Tebas".

Aqui a gente deixa a trilha sonora da peça, como indicações de músicas para ouvir em algum momento x naquele lugar y...


David Bowie - Warszawa






David Bowie - Heroes





David Bowie - Pallas Athena





Gilberto Gil e Rogério Duprat - Retreta








 DJ Bruno Antun - Ilariê About Gender Baby -

 Planningtorock ft Xuxa

(inédita na internet)




Inês Brasil - Águas de março 






Tulipa Ruiz/Gustavo Ruiz - Físico 






Banda Recalque - Bebe Mais Amiga






Sigur Rós - Dögun






Joana Duáh - Black Or White






Ninja Hatori - Abertura








 DJ Bruno Antun - Sample Game of Funk

(inédita na internet)




Heitor Villa-Lobos - Bachianas Brasileiras No. 5






Adriana Calcanhotto - Remix Século XX



quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Matéria visual da matéria orgânica!







Imagina a sua mão em uma grande tela. É a sua mão, carne, pele, sangue, unhas. É a sua mão, tão essencial, que manipula matéria. Garfo, faca, copo, lápis, teclado do celular, serve o café, pega o guardanapo, escova de dente, apoia no chão pra levantar, abre a carteira, segura o tablet, toca você mesma e toca alguém, o corpo de alguém, peito, barriga, bunda, rosto, pé, vagina, clitóris, pênis, pescoço, cabelo, boca. A sua mão. Mas agora ela tá ali, em uma tela. Representada. É a representação da sua mão, parte tão essencial, tão presente em tudo, tudo, tudo que você faz na sua vida. Agora ela tá ali. Só a imagem. Você prefere ver ela se mexendo ou imóvel? Isso importa?

Imagina o seu pé em uma pequena tela. É o seu pé, carne, pele, sangue, unhas. É o seu pé, tão essencial, que manipula matéria. Anda, corre, empurra o chão, empurra o tapete, pisa na grama, encosta na porta, sobe a escada, esfrega no outro pé pra lavar, bate no pé da mesa (AI!), pula obstáculos, empurra a terra pra tapar o buraco. O seu pé. Mas agora ele tá ali, em uma tela. Representado. É a representação do seu pé, parte tão essencial, tão presente em tanta coisa que você faz na sua vida. Agora ele tá ali. Só a imagem. Você prefere ele se mexendo ou imóvel? Isso te importa?

Calma aí, mas é o outro que tá controlando? Não é meu corpo pele/osso/cérebro. Eles estão sendo manipulados por alguém? Alguém filmou tudo enquanto eu não via (ou via? será que foi eu?) de vários ângulos e de várias distâncias. Muito perto! Olha as pequenas rugas bem de perto formando ondas de areia, obstáculos tortuosos e linhas paralelas. Muito longe! A mão é um inseto com cinco patas.

Eles perguntam, eles me perguntam se agora eu percebo a diferença. Eles dizem que não é a minha mão ou meu pé, é representação. O outro criou tudo pra mim, pra eu me ver e me sentir completa. "Te representa sim! É representação! É símbolo, linguagem e comunicação! Matéria visual da matéria orgânica!"

Mas eu acho que sou eu mesma. É que tudo isso é só uma expansão.


É meu corpo alargado. Filmaram meu pé, postaram no facebook. Filmaram minha mão, tá lá. Tá tudo sendo exposto pra todos manipularem com os olhos. O meu corpo vive agora constituído de duas matérias que se relacionam. A carne e a imaterialidade dos likes e visualizações. Temos aqui outra continuidade. O celular é minha terceira mão. A câmera é meu terceiro olho. Minha página no facebook é meu território, a ponta dos dedos das minhas mãos no teclado do computador também é meu pé, eu caminho. Eu olho e me identifico.

O oco, assim como a carne, também pulsa.

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

[ThereMIM] de mágica e tecnologia

Wkipédia diz:

"O teremim é um dos primeiros instrumentos musicais completamente eletrônicos, controlado sem qualquer contato físico pelo músico. Seu nome vem da versão ocidental do nome do seu inventor, o russo Léon Theremin, que patenteou seu dispositivo em 1928. O instrumento é controlado através de duas antenas de metal, que percebem a posição das mãos do músico e controlam osciladores de frequência com uma das mãos, e com a outra a amplitude (volume), de forma que não seja preciso tocar no instrumento. Os sinais elétricos do teremim são amplificados e enviados para um altifalante."
(pq não nasci russo? - aposto que seria astronauta ou bailarino do balé Bolshoi) 

pronto, isso é um theremim e é bem loco né?! vc toca sem tocar, é tipo magia estética científica!!!!! tudo ta junto e a gente para de separar por favor!!! ou tu vai me dizer que seu celular não é mágico, que a internet não é um poder sobrenatural. Cara!!!! tu abre milhões de portais por minuto, faz telepatia, e guarda um monte de memória na caixinha preta (que byTheWay é um espelho) . ok! ciência e magia voltando as raízes e se juntando outra vez. Só isso. THEREMIM querido ja voltei pra ti.

olha esse garoto praticando magia (escuta essa música cafona e chora comigo)

E essa Bruxa aqui???!!! 


Socorro! pode chorar de novo. É Clara Rockmore o nome dela ta!

me lembra Nikola Tesla e os raios mágicos científicos, o controle da natureza. É MUITA TECNOLOGIA!! vocês não ficam assustados? me da vontade de viver e morrer... ao mesmo tempo.

Tudo isso foi baseado numas tais ONDAS MARTENOT, Wikipédia ajude-me: "As Ondas Martenot (em francês: Ondes Martenot, õd maʀtəno), ondium Martenot ou ondas musicais é um instrumento musicaleletrônico com teclado, criado em 1928 por Maurice Martenot. Trata-se de um dos instrumentos musicais electrónicos iniciais, e era originalmente muito semelhante ao teremim. Produz um som ondulante com válvulas termiónicas de frequência oscilatória. As ondas Martenot foram usadas por vários compositores, em especial Olivier Messiaen, que para a sua obra "Fête des Belles Eaux", escrita para a Feira Mundial Internacional de 1937 em Paris as escolheu. Seguiram-se vários trabalhos, como a Turangalîla-Symphonie, Feuillets inédits, e Trois Petites Liturgies de la Présence Divine a sua ópera Saint-François d'Assise usa três ondas Martenot. Muitas das obras foram escritas para a sua cunhada, Jeanne Loriod, que foi professora de ondas Martenot no Conservatório de Paris."

Escutemos:



Assustador, vanguarda e Urânico (            )

- Qual a conclusão? 
- me diga você! 
- Qual a má notícia?
- ESTA:



- E a boa notícia?
- ESTA:

http://pt.wikihow.com/Construir-um-Theremin 

Tudo é devaneio um beijo!




sexta-feira, 21 de outubro de 2016

                            DIANTE DAS DEFINIÇÕES, AS CIGARRAS NÃO PARAM!


Quem sou eu, se me vejo como reflexo no outro, mas sei que o outro não sou eu...

                                                                      E se o outro for meu oco disfarçado? 

Porque temos esta necessidade abrupta de nos definir se estou em processo de definição?

                                                                     E quem me define?

E de onde vem a definição sobre mim?
                                                              De mim? 
                                                              Do outro? 
                                                              Do oco? 

                                                 -  Onde sou oco/onde sou eu/e onde é o outro? 

Estes questionamentos me fazem pensar sobre o processo de encontro.
Essa tal arte do encontro que muitos estão ensimesmados em encontrar respostas.


E...

Este encontro é Comigo? Com o outro? Ou com o oco?

-Okay! Confesso, não sei!

Mesmo em devaneio o que apetece aos meus olhares, dizeres e prazeres não são as definições e muito menos a tais respostas, mas sim, a BuScA!

A Busca?
           Encontro, talvez?
De quê?

- Novamente, não sei! 

Só sei que o rito me comove.     O mito me instiga.     O sagrado me mobiliza.

As formas são possivelmente sugeridas, mutáveis e até dobráveis. 

Não sei quem fui, o que fomos e sei lá, se seremos.
Não sei se sedimentarei algo ou o que será do algo que não compreendo...
As necessidades de se estar em um lugar definido e estável não é  Real...

O que é  Real? 
             O que é  palpável?  
E quem define o palpável?  
             A matéria?

PenSo, loGo mE siNto toRta paRa o OCO.

Ele sim me parece mais real, por muitas vezes...

- Mas o Oco? (Semblante de espanto) 


Resultado de imagem

Pasmem! A partir dele me sinto mais confortável e consigo vislumbrar tudo mais liberto dentro de uma linguagem metafísica que este meu corpo não conhece.
- Evito definições e isto me provoca o questionamento.
Consigo pressentir que mesmo sendo oco
                                                                  absorvo 
                                                                                ideias, sensações...
Efemeridades muito mais autênticas que este corpo cru, bem definido e condicionado não se esmera por não se encontrar preparado.

O oco seria o meu lado disforme. O avesso de mim...

- Avesso de quem, se não sei quem sou?

 A ideia de pensar sobre, me envolve. Porém, é um risco contraditório "pensar", porque imediatamente o pensamento se prontifica a definir. E a definição nos categoriza a uma falange pueril do que somos nós: ocos com pés a mostra para novas elucubrações...

Élia Cavalcante

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Devaneio reflexivo


O macro e o microcosmos são espelhos da natureza viva. Um mira-se e reflete-se no espelho do outro.O espelho duplica todas as coisas, o mundo e o sonhador de mundos. O ser humano, em sua pureza primordial, vê e contempla sua imagem no espelho das águas, ficando maravilhado por ver, no reflexo, um outro que é a sua sombra, mas não é ele, é seu duplo [...] (BACHELARD) olha como eu sou cult!

O homem duplicado. Um ser metamorfo que pode transforma-se em qualquer coisa, mas quando olhamos pra ele, tudo que vemos é um reflexo de nós mesmos. Um ser, que ao contrário de Deus, transforma-se a sua imagem e semelhança: Shulachaki, Doppelganger, O duplo! Três, das inúmeras lendas que compõe o imaginário da humanidade, o inconsciente coletivo.

Rob Muholland 

Imaginem a seguinte hipótese, você caminha em direção ao ponto de ônibus, está nublado, uma névoa gelada no ar, poucos carros na rua. É quarta feira mas hoje parece que as pessoas não resolveram sair, talvez greve, talvez coincidência, talvez não, mas a cidade está vazia. Caminhando, você passa por um prédio espelhado (desses que quando olha da vontade de jogar uma pedra só pra romper aquele esquema ordenado perfeita) você se vê! Não tem drama, você até se acha bonit@ e continua o trajeto. Passa de repente pela sua cabeça imagens eróticas de você fazendo sexo consigo mesmo___________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ (AQUI_______PAUSA PARA IMAGINAR)______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ – você ta imaginando? – SIM!! Isso!! Detalhes!! Vai fundo, você consegue. Onde está sua língua? Que cheiro tem? Por onde passa sua mão? OK!!! Suficiente. FIM DA HIPÓTESE

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[quantas vezes você encontra o seu reflexo por dia?] [hoje eu contei e deram 42, mas tem que ser qualquer reflexo, nas janelas, na vitrine, na bandeja de inox, no celular, no visor, etc.] [TODOS ESSES SÃO VOCÊ???????????????????????????????????????????][será que eu deveria contar com as vezes que vejo meu perfil no Facebook? a minha foto no watts?]{parece que os reflexos se multiplicam}



O encontro com o oco, se ver vazio!!! Ele sou eu, mas não sou eu, se ele sou eu, quem sou eu?

{quem é mais vazio: Você ou seu duplo? Quem é o original? Quem é o clonado? Existe original? E se ambos forem chineses? E se ambos paraguaios?} 

Tocar-se, apertar a própria mão, abraçar-se. O espelho, O reflexo, NARCISO, umbigo e o fetiche de se olhar nos olhos, e ver realmente como se é de costas, como se anda, como se meche as mãos, como se respira – Tornar-se real, palpável. Pq só olhar no espelho não me prova que eu existo: o espelho aprisiona o oco – é a QUARTA PAREDE que hierarquiza a relação. Esse “eu” do espelho, é dependente de mim, me imita, não questiona. Ele precisa de mim pra existir. AI! Não sei, ele me cansa... Eu quero trocar ideia comigo mesmo, conversar sobre nossos desejos mais profundos e ver se a gente sente vontade de fazer xixi na mesma hora, não um reflexo sem vida própria preso numa parede de vidro. Por outro lado, pelo menos ele transforma esquerda em direita e direita em esquerda, binariedade inversa, mas ainda binária. Cansei!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

DESCULPA A DEMORA – mas é que eu tava ocupado quebrando o espelho que fica na porta do meu guarda-roupa. Agora o chão ta cheio de cacos e esses ‘eus’ apáticos-reflexivos-imitadores SE MULTIPLICARAM!!! SE MULTIPLICARAAAM!!AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!


Alguém me traz cachaça???

O que tem no fundo do espelho? O que tem no fundo do oco? Se o oco é oco, o que tem dentro dele? (matéria-escura?) mas isso também é matéria! Existe vazio? Existe oco?


Bohyun Yoon

Exercício: Se olhar nos olhos num espelho até a imagem se distorcer e você ver outra coisa no seu próprio rosto. Eu fazia isso no colégio: um garoto se viu bebê, o outro viu sua própria jugular cortada, meu amigo carioca da sexta série, o Andrey, viu o rosto da vó que nunca conheceu, eu vi um rosto sumindo.

PS: hoje sonhei com uma freira atrás de uma pilastra, vias só as roupas, mas não via o rosto. Ela ia se escondendo atrás de mim.

PS2: dizem que tudo no sonho é a gente.

PS3: se você ainda não entendeu. Eu sou a freira. Obrigado!

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Perguntas que eu me fiz, decisões que eu nunca quis [...]



  1. Você já se sentiu uma farsa?
  2. O que/quem você parece ser?
  3. O que para você te define como você?
  4. O que você acha que, para os outros, te define como você?
  5. Como você acha que as pessoas te vem?
  6. Que impressão você quer causar?
  7. Quanto esforço você emprega buscando controlar a imagem que os outros tem de você?
  8. Qual parte sua você gostaria de manter em segredo?
  9. O que você tem faz parte de quem você é?
  10. Algo fora de você é uma extensão de ti?
  11. E se você fosse o Chullachaqui / Doppelganger (o oco, o duplo)? O que isso explicaria?
  12. Fora os pés, como te diferenciar do Chullachaqui / Doppelganger?
  13. Quem é você?

domingo, 16 de outubro de 2016

O Teatro e seu Triplo



(manifesto para uma primeira (ins)piração.)

Estamos em busca de um teatro que possa tocar a vida.
Um teatro com frescor, que aborde as políticas cotidianas dos encontros, as assembleias desburocratizadas com regras ainda desconhecidas por todos. Em busca de campos expandidos.

Refazer os formatos em tempos de crises político/existenciais!
A atriz (agonista) que recebe as participantes (ex-espectadoras) e que vai de encontro com o risco, à aventura e com o desconhecido. Em oposição à autoridade, dignidade e o prestígio que os artistas tanto tempo perseguiram como foco de entrada numa classe aristocrática.

Estamos em busca de um teatro que possa tocar a vida.
Em busca de uma pesquisa sobre o mundo que vivemos. Visões sobre um mundo intermediado por gadgets diversos, um mundo pré-ciborgues em que a eugenia bate à porta de maneira assombrosa. Retomamos o corpo e os encontros.
A força elétrica que o teatro provoca no encontro entre os corpos.
Em busca de um espetáculo(?) que joga o jogo da teatralidade, sem os dogmas de fábulas dramatúrgicas para a assistência entediada.
O jogo com o real, a imagem e a imagem da imagem. Os atores, os participantes e o oco do ator. O oco do oco contemporâneo. Numa sociedade onde o simulacro já está completamente assimilado, o teatro que transcenda a ilusão da ilusão sem sentido.  O teatro e seu triplo jogo.
Retomar o sentir!

Estamos em busca de um teatro que possa tocar a vida.
Se os aparelhos auxiliam a vida eles a modificam também de forma irreversível.
O drama histórico não acompanhou isto e agoniza em suas próprias neuroses.
O design de si mesmo das redes é o mote para os Chullachaquis que percorrem o mundo virtual,  Os Doppelgänger Zumbis que interagem entre si como se fossem reais, mas que modificam nossos corpos e formatos de vivência. Nossa sociedade ocidental teve que dar a volta pra perceber que muitos pensamentos indígenas são mais avançados que as mais avançadas das mais avançadas das tecnologias...
O “divíduo” se interpõe ao indivíduo e ao sujeito. Podemos ser muitas ou nenhuma. Modificam o teatro e seu duplo social.

Transformar os formatos!
Transtornar os formatos!
Transgredir as sombras das formas de drama que a cultura congelou. Estamos em busca de regras desconhecidas. Formatar nossos HDs e apagar as memórias de regras, dogmas heroicos e metáforas caquéticas de um passado que insiste em se fazer presente, mas que não passam de sombras ocas de um mundo que não existe mais.
Des-formatar.
Virar a página e encontrar uma página em branco, sem linhas, pronta para invenção. Página em branco mas não vazia, página cheia de tudo que já se fez antes. O mago Francis Bacon falava: “Criar uma forma é borrar todas que já estão ali.”

A morte de um teatro que se leva a sério.
Acreditar que está veiculando ideias fantásticas é a pretensão de criadores que insistem em permanecer em seus feudos culturais e intelectuais, excluem a fisicalidade da cena em nome de um dogma ideológico. (“O que a peça quis dizer?”)


Basta de arte fechada, egoísta e pessoal.” dizia o xamã Artaud. O mundo já está abarrotado demais com o teatro do deprimido, é preciso mais!