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terça-feira, 3 de julho de 2012

Odeio festas com Expectativas


Estive na festa mais chata do mundo. E ela foi na minha casa. Terminei uma temporada teatral bacana e quis dar uma comemorada. Convidei a galera pra ir pra minha casa confraternizar e fazer amor, ou amor de mentira. Geralmente fico nervoso quando sou anfitrião, mas nem fiquei tanto. Ou, pelo menor, nesses últimos tempos tenho conseguido controlar algumas ansiedades. Ainda bem que eu controlei as expectativas. Foi só meu amigo Simão e um coleguinha de negócios burocráticos comerciais e gerenciais. Foi uma noite interessante.
Fui ao mercado e dei uma nota de 50 pra moça do caixa pra trocar por uma caixa de Kaiser, dois pacotes grandes de salgadinho (Cheetus e Fandangos), um vinho barato sem rolha, um Nestea Pêssego pra Luísa e dois Marlboros light maço. O troco uma moeda de 25 centavos.
Bom, foi uma noite boa de conversa boa. Bebi algumas latinhas de cerveja. Fumei bastante. Mas fui controverso. Ali em cima eu disse que não estava criando muitas expectativas, mas acho que eu tava sim. Por fora queria parecer blasé, mas fiquei um pouco decepcionado. Queria muito me exibir. Exibir minha casa, meus amigos, minhas fotos, tudo o que é “meu”, tentando resumir o que eu sou. Queria uma festa bem egocêntrica pra galera do teatro. Talvez tenha sido bom ter sido como foi.
Essa foi minha grande festa de merda. Será que digo que foi uma festa? Qual o critério pra chamar de festa. O que sei, é que foi um encontro marcado para interagir e se divertir. Agora, a potência de alegra varia de acordo com o evento. Foi uma festa. Foi, sim. Uma festa cordial.
Saco! Foda-se! Tédio. Quero rock.

Este é o post mais chato do mundo.


domingo, 1 de julho de 2012

Subsolo do CONIC


Arredores do CONIC, 00h:30min, as senhoritas começam a chegar para mais uma noite de trabalho.


O ambiente é o mesmo de outubro que vem.

Macário - Eu vejo-os. É uma sala fumacenta. À roda da mesa estão sentados cinco homens ébrios. Os mais revolvem-se no chão. Dormem ali mulheres desgrenhadas, umas lívidas, outras vermelhas... Que noite!

Satã - Que vida! não é assim? Pois bem! escuta, Macário. Há homens para quem essa vida é mais suave que a outra. O vinho é como ópio, é o Letes do esquecimento... A embriaguez é como a morte...

Macário - Cala-te. Ouçamos.



Será tudo isso um sonho? Ou uma lembrança do passado?
Eu acabo de chegar, mas o vinho e o absinto que misturei para viver esta experiência já começam a turvar minha visão.
As pessoas que passam por mim não tem face.
Após os vapores do vinho, os vapores da fumaça!
Misturar mais alguma coisa vai fuder com minha consciência nessa noite.
Entremos!



Senhores, em nome de todas as nossas reminiscências, de todos os nossos sonhos que mentiram, de todas as nossas esperanças que desbotaram, uma última saúde! O fumo é a imagem do idealismo, é o que há de mais vaporoso naquele espiritualismo que nos fala da imortalidade da alma! E pois, ao fumo, ao vinho e à imortalidade da alma!
O gozo foi fervoroso!
A madrugada passava já frouxa nas janelas. Àquele calor de meu peito, à febre de meus lábios, à convulsão do meu amor... Luz sombria...

Dos filmes abaixo, acionando o play em todos ao mesmo tempo, talvez traga a real sensação de como estava minha cabeça.




Não sabia mais nada do que se passava, sabia apenas que minha cabeça escaldava de embriaguez.
Nos lábios de todas as criaturas daquela noite eu bebera até a última gota o vinho do deleite...
Quando dei por mim estava encostado numa parede num lugar escuro, eu vomitara quase todo meus intestinos naquele chão pútrido.
As estrelas passavam seus raios brancos entre as vidraças de um templo.



A noite ia alta: a orgia findara. Os convivas dormiam repletos, nas trevas.
Resolvi ir embora daquele antro de perdição no interior mais secreto do coração da capital.
Uma mulher fala comigo na calçada, e não sei se sonhei ou se as palavras foram reais:
- E que me importa o sonho da morte? Minha situação amanhã seria terrível: e à cabeça apodrecida do cadáver não ressoam lembranças; seus lábios gruda-os a morte: a sepultura é silenciosa. Morrerei!
Ela chorava muito, sua maquiagem escorria dos olhos como lama negra pela face.
Ela foi andando de costas e olhando pra mim com um olhar penetrante e misterioso. Nunca mais a vi.

A noite ia alta.
Não consigo dirigir direito, ainda estou embriagado, curiosamente lembro das campanhas estúpidas deste governo estúpido e correto.
Giorgias por todos os lados, embaixo das pontes e tesourinhas. As luzes da cidade modernista iluminam o grande templo.
Dirijo de olhos fechados para sentir o cheiro nojento que a cidade me traz. Um estrondo ensurdecedor.
Não sei o que aconteceu.

A luz apagou-se.





sexta-feira, 29 de junho de 2012

Baladis!


Informações da festa
Local:  Victoria Haus ( Boate)
Titulo da Festa:  Let's Club - "Babado & Confusão  querida! 2 anos”
Data: 22/06

          A Victoria Haus é uma casa noturna  voltada para o  público GLS  que se encontra no SAAN (Setor de Armazenagem e Abastecimento Norte). Ela abre geralmente às sextas e sábados e cada dia possui um tema diferente, carregando também o nome de uma festa, por exemplo: Todas às sextas é dia da Let’s Club e nos sábados há uma alternância  em relação aos nomes das festas.
          BCQ é um Blog também voltado ao público GLS  onde abordam novidades, vexames, curiosidades  entre outras coisas, relacionadas ao mundo das celebridades e esse Blog está comemorando os seus 2 anos de existência na Victoria Haus com direito até a vídeo de divulgação!




        

             Entramos eu e minha namorada(Izabella) e imediatamente fizemos o que quase todos fazem(acho) assim que entram em uma boate: procurar amigos ou qualquer pessoa conhecida. Embora eu tenha amigos que frequentam aquela festa “religiosamente”, naquele dia não consegui ver ninguém conhecido assim de primeira.
           Com a Izabella isso já é quase impossível pois ela é dançarina do grupo de dança que faz as performances/shows  no palco  junto  com as  drag queens. Ela conhece muito mais gente frequentadora  daquele lugar e de baladas do que eu. Enfim...
          Após alguns minutos encontramos um amigo dançando e ficamos um tempo lá com ele. Fui perguntar para ele como anda a vida, os planos ( que clichê né minha gente)  mas é isso que fazemos. Ele me contou das viagens feitas no ultimo mês e dos planos profissionais que provavelmente irão se concretizar (espero) e logicamente  a ação de falar os planos se inverte. Eu comecei a falar os meus ao mesmo tempo em que analisava as possibilidades e as dificuldades de executar os mesmos.




        O engraçado é que fizemos isso meio “dançando”  e sendo iluminados por aqueles Movie Light’s( Refletores utilizados em boates e shows) e a música rolando e ele dançando (Eu não, porque eu não sei, infelizmente). Depois saímos para comprar algo para beber (é impressionante! Piso naquele lugar e já fico morrendo de sede) e esperar a apresentação da noite que era uma versão Drag do programa Casos de Família (Gostei muito da produção). Assista o vídeo:





Após o fim da apresentação, voltamos para casa. Eu tinha apenas 4 horas para dormir, pois tinha ensaio logo de manhã. Meus ouvidos ainda estavam com aquele zumbido causa do som alto e não conseguia dormir pensando na outra festa que iria no domingo.
 Mas a festa do domingo ia ser uma festa de aniversário com piscina e futebol de sabão. Nunca joguei   futebol de sabão ,então eu estava  pensando no motivo  da  empolgação em brincar nessas coisas  teoricamente "infantis". Comecei a me lembrar que 80% das coisas divertidas que eu fui e fiz nos últimos anos tinham esse caráter meio  “infantil” e obviamente comecei a questionar o por quê que estou pensando nisso, se eu deveria estar dormindo...putz!!! falta 3 horas para o ensaio....zzzzzZZzzzzzZZzzzZZZZzzz




quinta-feira, 28 de junho de 2012

Just like Solfiere, bitches!

A festa sobre a qual farei meu depoimento aconteceu ha uma semana atras.

Quinta-feira 21 de Junho de 2012

Eu, depois de uma unica dose de cachaça, derrubei meu celular no chão. E lá se foi a tela. 1o mal pressagio do dia.

Indo encontrar o Personagem 1 que me convidou p/ sair, vejo muitas, muitas e muitas, viaturas na rua. 2o mal pressagio do dia.

Chegando na casa do Personagem 1, encontro eles, Personagem 1 e Personagem 2, com uma garrafa de Absolut. Normalmente teria encarado isso como bom pressagio. Não o fiz. Vi um sofá e me joguei nele. Falei que achava que não deveríamos sair. Os sinais não eram favoráveis. Insistiram. Me mantive deitada, aquele sofá tava tão confortável. 

-Fê, quer vodka não?

Pronto, minha perdição. Me levanto.

-Olha só, já sei como fazer você se levantar.

Me sirvo de vodka pura.

-Credo. Não sei como você consegue.

Volto, eu e meu copo, para o sofá. Digo que, se eles insistem em sair, sairemos. Mas me recuso a dirigir.

Enchemos uma garrafinha de água com a vodka. Pegamos a Sprite. E descemos, nossos copos cheios e as garrafas plasticas prontas para o refil, rumo ao Balaio.

Balaio tava de final. 3o mal pressagio do dia. Eu na verdade gostei da vibe fim de festa. Tava tranquila com minha vodka lá. Mas Personagem 1 não. Insistiu p/ que fossemos a uma festa. Queria dançar. Não sei como convenceu, a mim e Personagem 2. Mas fomos.

Era uma festa que eu nunca tinha ido em uma boate/lounge/bar/restaurante que eu nunca tinha ido. Estávamos já bêbados ao chegar na porta. Personagem 1 virou sua vodka.

Isso não vai prestar.

O segurança falou que ia fechar logo logo. Insistimos. Ele deixou a gente entrar.
Nunca fui a uma festa com tanto homem. Deveriam ter no máximo 10 mulheres no local. Sem exagero.

Personagem 1 pegou duas doses de vodka e um energético no bar pra gente.

Fomos para a pista. A principio tocava algum remix de música pop do tipo Jovem Pan.
Dancei mesmo assim.

Pouco tempo depois o começou a tocar uma música que eu adoro.


Gente, seria isso um bom sinal?

Me empolguei.

Personagem 1 falou que ia ao banheiro. Notei que ele cambaleava um pouco demais. Deixei quieto.

Outra música que eu gosto.


E mais outra.



Dessas três eu me lembro especialmente. Mas confesso que surpreendentemente aquele DJ tava acertando uma atras da outra.

Mas acontece que Personagem 1 tava demorando muito. E lá pelas tantas não teve mais jeito, tivemos que sair para procurar. Subimos no segundo andar onde era o banheiro. Personagem 1 estava sentado cabeça baixa. Passava muito mal.

Muito mal. Muito mal mesmo.

Personagem 1 é fraco para bebidas. Devia ter parado ele antes.

Não melhorava.

Personagem 2 comprou água. Personagem 1 balançava a cabeça negativamente. Não queria beber mais nada.

Vomitava.

E forçava mais vomito. Não tinha mas nada dentro daquele estomago.

Peguei açúcar. Pedia por favor para ele beber um pouco de água com açúcar. 


Nada.


Só piorava.


Comecei a levantava a cabeça dele e fazia ele se hidratar um pouco.

Ele começou a reagir menos. Comecei a ficar realmente preocupada.

Personagem 2 pegou mais açúcar. Eu colocava aquelas pedras de açúcar dentro da boca dele. E quando essas acabaram eu passava o dedo molhado no açúcar e colocava na boca dele p/ ele chupar. Uma colher teria ajudado.

A festa tinha terminado. Lá em baixo a interminável fila do caixa estava quase acabando.

Ele não demonstrava sinal de melhora. As vezes voltava levemente a si e pedia ajuda. Falava que não queria morrer. Acho que Personagem 1 nunca tinha tido um porre antes. Eu dizia que isso era normal. Que logo ele ficaria bem. E empurrava mais um gole de água p/ dentro da boca dele.

Personagem 2 foi lá em baixo avisar que ainda tinha gente lá dentro. Que Personagem 1 estava passando mal.

Subiram dois seguranças. Disseram que tínhamos que ir embora. Falei que Personagem 1 não conseguiria sair de lá agora. Eles se ofereceram para carregá-lo. Topei.

-Mas ele não tá vomitado não né?

Incrédula não consegui responder.

-Por que, como que a gente vai carregar uma pessoa vomitada.

-Então você vai ter que esperar querido!

-Não, por que não dá né...


-Então você vai ter que esperar querido!! -repeti.

Eles desceram.

Personagem 2 subiu. Havia pagado a nossa conta. Muito mais caro que esperávamos.

Não tinha mas o que fazer. Forcei pra dentro dele o resto da água com açúcar. Enchi de novo a garrafinha e virei na cabeça dele.

Personagem 1 reagiu.

Não tinha mais como, estavam literalmente nos expulsando dali.

-Meu bem. A gente precisa ir embora, tá?! Eu vou te levantar, a gente vai descer a escada, sair e ir para o carro, ok?!

Carregamos ele escada a baixo.

Foi um alivio sair de lá.

O carro tava no final da quadra. Fomos descendo a rua.

Me senti um pouco Solfiere carregando pela rua a defunta roubada. E assim como Solfiere foi interrompido por um guarda. Fomos interrompidos também. Um rapaz veio pedir dinheiro para um sanduíche. Nossa carga era pesada, não podíamos parar. Respondemos em movimento mesmo, não tínhamos dinheiro. O rapaz insistiu. Não adiantou.

Nem sei como chegamos ao carro. Jogamos Personagem 1 no banco de trás e ele foi, vomitando no meu casaco e melhorando aos poucos.

E o resto da noite se seguiu como Personagem 1 passando mal e eu e Personagem 2 cuidando dele.

Trocamos a roupa do Personagem 1, acendi incenso, fiz chá, alimentei, até cantar eu cantei para que tudo ficasse bem.

Acordei. Pouco tempo de sono. Noite mal dormida. Cama pequena. Obra no vizinho. Mau humor.

Personagem 1 acordou. Deu meia duzias de gemidos e estava novo novamente.




Odeio essa gente que não tem ressaca. Dá próxima vez vamos ouvir os presságios?




Vamos torcer para que no meu próximo relato a bêbada da história seja eu.