domingo, 1 de julho de 2012

Subsolo do CONIC


Arredores do CONIC, 00h:30min, as senhoritas começam a chegar para mais uma noite de trabalho.


O ambiente é o mesmo de outubro que vem.

Macário - Eu vejo-os. É uma sala fumacenta. À roda da mesa estão sentados cinco homens ébrios. Os mais revolvem-se no chão. Dormem ali mulheres desgrenhadas, umas lívidas, outras vermelhas... Que noite!

Satã - Que vida! não é assim? Pois bem! escuta, Macário. Há homens para quem essa vida é mais suave que a outra. O vinho é como ópio, é o Letes do esquecimento... A embriaguez é como a morte...

Macário - Cala-te. Ouçamos.



Será tudo isso um sonho? Ou uma lembrança do passado?
Eu acabo de chegar, mas o vinho e o absinto que misturei para viver esta experiência já começam a turvar minha visão.
As pessoas que passam por mim não tem face.
Após os vapores do vinho, os vapores da fumaça!
Misturar mais alguma coisa vai fuder com minha consciência nessa noite.
Entremos!



Senhores, em nome de todas as nossas reminiscências, de todos os nossos sonhos que mentiram, de todas as nossas esperanças que desbotaram, uma última saúde! O fumo é a imagem do idealismo, é o que há de mais vaporoso naquele espiritualismo que nos fala da imortalidade da alma! E pois, ao fumo, ao vinho e à imortalidade da alma!
O gozo foi fervoroso!
A madrugada passava já frouxa nas janelas. Àquele calor de meu peito, à febre de meus lábios, à convulsão do meu amor... Luz sombria...

Dos filmes abaixo, acionando o play em todos ao mesmo tempo, talvez traga a real sensação de como estava minha cabeça.




Não sabia mais nada do que se passava, sabia apenas que minha cabeça escaldava de embriaguez.
Nos lábios de todas as criaturas daquela noite eu bebera até a última gota o vinho do deleite...
Quando dei por mim estava encostado numa parede num lugar escuro, eu vomitara quase todo meus intestinos naquele chão pútrido.
As estrelas passavam seus raios brancos entre as vidraças de um templo.



A noite ia alta: a orgia findara. Os convivas dormiam repletos, nas trevas.
Resolvi ir embora daquele antro de perdição no interior mais secreto do coração da capital.
Uma mulher fala comigo na calçada, e não sei se sonhei ou se as palavras foram reais:
- E que me importa o sonho da morte? Minha situação amanhã seria terrível: e à cabeça apodrecida do cadáver não ressoam lembranças; seus lábios gruda-os a morte: a sepultura é silenciosa. Morrerei!
Ela chorava muito, sua maquiagem escorria dos olhos como lama negra pela face.
Ela foi andando de costas e olhando pra mim com um olhar penetrante e misterioso. Nunca mais a vi.

A noite ia alta.
Não consigo dirigir direito, ainda estou embriagado, curiosamente lembro das campanhas estúpidas deste governo estúpido e correto.
Giorgias por todos os lados, embaixo das pontes e tesourinhas. As luzes da cidade modernista iluminam o grande templo.
Dirijo de olhos fechados para sentir o cheiro nojento que a cidade me traz. Um estrondo ensurdecedor.
Não sei o que aconteceu.

A luz apagou-se.





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