Páginas

Mostrando postagens com marcador fim de relacionamento. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador fim de relacionamento. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 8 de junho de 2012

TRAVESTI DE FAMÍLIA

Minha vida nunca foi fácil. Nunca será. Apesar de eu adorar viver, sei que vou levar muitos nãos por ser quem eu sou. Eu tentei, tenho várias testemunhas da minha tentativa de ser “normal”. Namorei, transei como se fosse hétero, me casei com uma mulher, me fiz de homofóbico, enfim, fiz a minha lição de casa por 28 anos. Por 28 anos eu assisti a minha vida passar. Por 28 anos eu usei máscara.

É, meus amigos, mas descobri de forma dolorosa que as máscaras caem. E a minha caiu. Daqui a pouco eu conto pra vocês como foi.

Muito prazer, meu nome é Sabrina e eu sou uma transexual MTF na fase andrógina.

 Nunca aceitei ser menino, mas sabia que não era comum meu desejo por ser menina. Então eu me escondia. Eu era uma muralha intransponível. Meus pais eram muito pobres e não podiam me proporcionar luxo nenhum.  Eu era uma criança quieta e obediente, nunca fiz birra por querer algo que eles não podiam me dar. Eu sabia já nessa época que não seria correto. E também nunca os questionei sobre meus sentimentos, sob essa mesma ótica. “Como assim? Eu não posso ser menina! Eu nasci menino, ora bolas!” Um dia eu fui à missa com meus pais e o padre falou: “Deus realiza o impossível”. Eu fui pra casa e rezei: “Deus, se o Senhor realiza mesmo coisas impossíveis, quebra um galho pra mim, por favor! Me transforme numa menina!” Bom, não preciso dizer que meu pedido não foi realizado. Pelo menos não naquele momento.

Minha adolescência foi muito foda. Hormônios à flor da pele, descobertas a serem feitas (principalmente descobertas sexuais) e eu me esquivando disso tudo. Eu sempre repeti pra mim mesma que esse negócio de querer ser menina seria passageiro. Sempre acreditei numa espécie de cura. E nesse autoengano eu levava a minha vida. Meu primeiro beijo foi aos 17. Beijo de língua, beijo de saber o gosto da boca de outra pessoa. Minha primeira transa foi com uma mulher (pessoa maravilhosa, diga-se de passagem. Sou fã dela!) aos 23 anos. Com essa mulher me casei e tive certeza de que a amava. Amava não, amo! Nunca vou deixar de amá-la. Ela foi a minha primeira e última mulher. A única! Mas o tesão acabou............ela não aguentou a pressão..............eu não aguentei a pressão...........nós cedemos, nos arrebentamos juntos, de mãos dadas, de cara no muro de concreto. Contei tudo pra ela! Era tudo ou nada. Me abri pela primeira vez a alguém. A ela. Por ela e por mim. Por nós! Joguei todas as minhas cartas na mesa, apostei todas as fichas. Era ganhar ou perder, não tinha outra saída. Perdi... Ah, 2008 terrível! Ainda bem que você acabou! Eis aí a queda da minha máscara.

Bom, o que dizer da minha vida? Às vezes, adoro ser eu. Tenho o melhor dos dois sexos. Tenho a força do homem e a sensibilidade da mulher. Adoro carro antigo, vídeo game, filme violento e detesto novela (coisas de homem), mas também adoro unhas bem feitas, cabelo hidratado, pele lisinha e tenho uma preguiça tremenda de futebol (coisas de mulher). Às vezes detesto ser eu. Não sei se participo dos dois gêneros ou se não participo de nenhum. Isso me causa uma sensação ruim às vezes. O ser humano tem essa necessidade de pertencimento a alguma coisa. Precisamos de rótulos pra colar em nossas testas.




As pessoas me olham na rua e ficam com uma interrogação na expressão. Eu acho divertidíssimo! Um vendedor ambulante me chamou de moça outro dia. Ganhei aquele dia! Um cara me viu no banheiro masculino e me confundiu com uma mulher. Ficou em dúvida se tinha entrado no banheiro errado. Ontem fui a uma festa e o segurança não sabia o que fazer. Se me dava o baculejo ou não. Adoro essas situações! Já as pessoas que sabem e me conhecem passaram a me respeitar ainda mais. Não sei se por eu hoje ser uma pessoa completa, autêntica, ou por algum tipo de piedade, coisa que eu rejeito. Prefiro pensar que é por reconhecimento mesmo da melhora visível da minha autoestima. Tenho amigos maravilhosos! Tenho pais e irmãos maravilhosos! Quanto a isso, estou tranquila.

A noite é minha companheira. Fico muito mais à vontade à noite. Boates, festas, Vick! Oficina! Rio de Janeiro! Adoro! Maquiagem, salto alto, decote, saia curta....Adoro minhas pernas, sabiam? São grossas e bem torneadas. E dei sorte de ter mãos e pés pequenos. Comprar sapatos não é problema nenhum pra mim. Aliás, eu tenho um monte! Uns 20 pares! E sei a história de cada um. Meu cabelo é cacheado e enroladinho, parece até que eu vivo fazendo babyliss. Uma menina me perguntou “como você faz pro seu cabelo ficar assim tão cacheadinho?” Eu disse “deixo crescer”. Simples assim. Mas a noite acompanha um certo revés. As pessoas “normais” pensam que somos vampiros, que ficamos dormindo durante o dia dentro de um caixão e só saímos de nossas catacumbas à noite. Eu também tenho vida diurna, sabiam? Eu trabalho, vou ao shopping, ao supermercado, exatamente como os ditos“normais”.  E se engana quem pensou que eu sou prostituta. Nada contra, de verdade mesmo. Quem sou eu pra ter preconceito, não é mesmo? Mas pra ser prostituta, ou pra ser atriz, ou médica, ou piloto de avião, tem que ter vocação. E eu não tenho pra nenhuma dessas profissões. Sexo não me faz tanta falta, eu não tenho veia artística suficiente pra ser atriz, não gosto de ver sangue e não tive a oportunidade quando mais nova de tentar a carreira de piloto de avião. Tá justificado? Pra mim está. É isso que importa.

Tenho um amigo gay. O mais gay que eu já conheci. E maravilhosamente gente boa. São raras pessoas com um coração tão puro quanto o dele. A mãe dele está temerosa quanto à nossa amizade. Ela diz que eu sou má influência. “É com esse tipo de gente que você anda?” Sempre fui uma pessoa correta. Ela não me conhece. Nunca conversou comigo. Foi a primeira vez que eu sou apontada como sendo má influência para alguém. O ser humano é muito maldoso. Parei pra pensar sobre o ocorrido e me bateu uma tristeza profunda. Quantas pessoas mais vão me apontar e dizer que eu sou má influência? Foda-se! Foda-se! Fodam-se os hipócritas que se lambuzam de prazer com as travestis à noite e falam mal de homossexuais durante o dia! Foda-se a tia do mercado que fala mal das travestis, mas não daria emprego a uma em seu estabelecimento! Foda-se o empresário que põe chifre na esposa e depois vem falar que a gente é que é promíscuo! Foda-se! A sociedade tem uma imagem deturpada das pessoas que não seguem o padrão heterossexual. Pensam que nós somos máquinas de fazer sexo. Que somos a promiscuidade em pessoa. Como diria a Bete, uma atriz maravilhosa a quem eu tive o prazer de prestigiar: “Não insultem a minha Inteligência. Eu sei que o problema é com a minha genitália.” A sexualidade humana é muito mais ampla que essa coisa engessada que a sociedade construiu. Não entendo o motivo de tanto alarde. Fundamentalistas religiosos nos agridem com palavras e safanões em nome do “amor de Deus”. Tudo isso porque eu quero adequar o MEU corpo. O MEU, não o de vocês. MEU, que Deus me deu. Se eu estiver errada, deixa que eu me acerto com Ele depois, OK? Não preciso de intermediários pra falar com Deus.

Nesse momento estou confortavelmente metida numa camisola rosa, deitada no meu pufe, hidratando o meu cabelo e revisando o texto que eu acabei de escrever pra vocês.  Uuuuuuuuiiiii!!!



Sabrina é uma transexual em fase andrógina, que pretende realizar seu sonho da cirurgia de redesignação sexual dentro de  5 anos e é amiga da Iza Cavanellas





sexta-feira, 1 de junho de 2012

Romantic Break-up



       O fim de um relacionamento amoroso muitas vezes é acompanhado de tristeza, brigas, acusações, traumas, bebedeiras deprês e outras coisas ruins do tipo. Mas também há aquelas vezes que tudo termina “bem”, onde o casal tem uma conversa e entram em um acordo ao imaginar o que é melhor para os dois, neste caso, o fim do namoro, noivado e etc.
       Essa ocasião, o término, geralmente é planejada (segundo minha vasta experiência de ombro amigo nessas horas). Não no sentido calculista e frio, mas sim no sentido onde a pessoa que vai ter a iniciativa dessa  “conversa”, tentará planejar o melhor momento, lugar e principalmente como fazer para que tudo termine bem.
       Obviamente, esse triste momento ( mesmo sendo para a possível felicidade) contrapõe com o início de um relacionamento, onde o romantismo está presente de maneira muitas  vezes até exagerada. Obs: Essa semana ouvi dizer que o amor é brega. Se não for brega não é amor. Eu sou breguíssimo...bem, isso não vem ao caso.Enfim...
       Dois estudantes chineses fizeram essa ocasião de uma maneira um tanto inusitada. Xu Minyu e Xiao Ying terminaram o namoro de 4 anos de maneira romantica e pública. Minyu foi até a  sua namorada, carregando um buquê de rosas, ajoelhou-se e pediu o fim do relacionamento. Assim como  uma proposta de casamento, a multidão gritou: "Diga sim, diga sim", e depois do silêncio, Xiao Ying aceitou as flores e a proposta.

Até onde vai o seu romantismo?