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domingo, 18 de maio de 2014

o primeiro de muitos

Ontem, perto da abertura das portas do teatro Adolfo Celi para mais uma sessão do espetáculo Mundaréu da Cia. 2 Tempos, do qual eu estou operando a Luz. A Alice Stefânia, que é quem assina a direção do espetáculo, propôs um aquecimento energético para o grupo, para que estes pudessem se conectar aos seus personagens e etc. Lá de cima, da "cabine de luz", me bateu um desejo repentino de fazer o exercício junto com elenco. Perguntei se podia, e já fui descendo as escadas, tirei os sapatos e fiz o exercício como quem estava se preparando para entrar em cena.
Logo que acabou, voltei para o meu posto, já coloquei a luz de inicio do espetáculo, e pensei que "mas, eu não vou entrar em cena?".
E aí, me veio a idéia desse post.

Me senti no direito de fazer o aquecimento, porque tanto quanto aqueles bravos atores, eu dali a 5 minutos também entraria em cena. E não podia deixar a bola cair. Meus diálogos com eles se davam a cada acendida de foco, a cada apagada de luz, a cada troca. Eu estava em cena, dentro do espetáculo, tanto quanto eles. É ISSO! EUREKA, eu diria, se outras mil pessoas já não tivessem dito isso.

Uma coisa interessante, legal, empolgante, do processo do Afectos, é que eu, fisicamente, estarei presente dentro do espetáculo. Caminhando pela casa, acendendo e apagando as luzes, sabendo de cada detalhe, de cada cena, para que a luz, eu, e todos, estejamos ali respirando o mesmo ar. Estar presente desde o primeiro ensaio, e acompanhar o crescimento, nascimento, entendimento de todos sobre tudo, é também, colocar cada vez mais a luz em cena. Deixar de lado esse estereótipo da iluminação como um "manto sagrado", que só começa a fazer parte do espetáculo apenas no dia de sua estréia. Fazer parte, como iluminadora, desde o inicio me dá material, massa, cimento, e tijolo para que essa iluminação comunique tanto quanto palavras, para que ela expresse tanto quanto um rosto, para que, se fisicamente eu estarei presente, a luz também esteja.


Sempre desejei fazer parte de um processo assim,

e eu espero, que esse seja o primeiro de muitos.

domingo, 4 de maio de 2014

Uma vez me pediram pra trocar uma lâmpada.

Dai vem o grande desafio da iluminação de um espetáculo que acontece em um espaço alternativo, só que não, porque se você for parar pra buscar no google "home lighting design", vão aparecer mil alternativas de coisas super interessantes de como iluminar a sua casa.
É bastante diferente do que ter que iluminar, sei lá, um corredor escuro no subsolo do conic.
Iluminar uma casa, tem que partir do básico, do simples.
Uma tomada, normal, suporta 4000w.
Baixei uma apostila de eletricidade básica.
Ontem, tava vendo videos no youtube sobre ligações paralelas, e como ligar uma mesma lâmpada através de dois interruptores diferentes. (tipo um no inicio, e outro no fim do corredor)
Eu já me acostumei a levar choques, e ter queimaduras.


Mas depois do afectos, além de iluminadora, eu também vou ser eletricista.