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sexta-feira, 21 de março de 2014

Amor, Humor.

Conhecem o Joan Cornellà?


e um do Molg H:




haha.

domingo, 3 de março de 2013

VIOLÊNCIA NOS QUADRINHOS


                   &


No mundo dos quadrinhos - assim como no do cinema, da literatura e da política internacional - qualquer conto que começa com violência necessariamente deve terminar com violência (afinal, fora matar o oponente, são poucas as táticas que resolvem uma disputa com a mesma eficácia). A violência ganhou certo prestígio estético nos quadrinhos. Há momentos em que parece que a mídia foi projetada para fazer convite a contemplação de atos brutais e conflitos físicos. Numa página de quadrinhos, você pode congelar um ato enquanto ele acontece ou mesmo antes de acontecer; pode estudá-lo em detalhe, sua lógica e sua arte, e ao fazê-lo talvez possa conjeturar quanto aos mistérios da violência - ou seja, entender não apenas como ela acontece, mas também por quê.

Se estudarmos tais momentos por tempo o bastante, talvez possamos encontrar uma maneira de impedir que os mesmos se repitam no mundo ao nosso redor - ou talvez simplesmente fiquemos com tamanha repulsa a tais atos que a violência real nos intrigue menos. Ou ainda, quem sabe, o inverso: ao congelar um instante de violência na página, talvez queiramos apenas encontrar uma maneira mais eficaz de curtir a violência, de examiná-la em minúcias e nuances, demorada e prazerosamente.

Apesar dos quadrinhos de super-heróis/violência ainda dominarem o mercado, este panorama vem mudando, e surgem histórias de drama, cotidiano, biografias, auto-biografias e até poemas adaptados para a linguagem, como no caso do UIVO (adaptação da obra de Alan Ginsberg). No Japão os quadrinhos já são amplamente utilizados para variadas funções, desde livros de culinária a manual de instruções de aparelhos. O importante mesmo é manter a qualidade das publicações, o tema não importa.

Mas, como no momento a temática mais ampla que nosso grupo estuda é a violência, fiz abaixo um apanhado dos quadrinhos mais violentos que já li. Como já disse, esta temática tem prestígio nessa linguagem, então não foi difícil achar na minha prateleira quadrinhos que espirram sangue ao apertar. O difícil foi fazer a seleção dos mais violentos para esta postagem. Aí vai:



JUSTICEIRO - AS MENINAS DE VESTIDO BRANCO

Esta é uma das variadas incursões "idiotalóides" dos personagens de quadrinhos maistream estadunidenses nos países considerados por eles "sub" alguma coisa. Justiceiro visita o México folclórico e mistificado para desvendar um suspense envolvendo meninas desaparecidas que retornam mortas e mutiladas. Violência gráfica presente em praticamente todas as páginas, um típico quadrinho de ação sem momentos para maiores reflexões.





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 NEONOMICON

Allan Moore se debruça sobre a obra do escritor H.P. Lovecraft para criar um roteiro de suspense e horror da melhor qualidade. Com o desenho de Jacen Burrows, Neonomicon é um quadrinho que deixa você de cabelo em pé com as atrocidades e a capacidade de criação de algo fantástico e medonho ao mesmo tempo.





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 SIN CITY - NOITE DA VINGANÇA

Esta é uma das muitas histórias de Sin City, do Frank Miller, estes quadrinhos deram origem ao filme dirigido por Robert Rodriguez. Nesta história, os personagens principais investigam assassinos que andam cometendo crimes hediondos na cidade para buscar vingança. O interessante deste tipo de quadrinho é o contraste do preto e branco. Todas as pancadas, sangue e torturas que venham aparecer, são "estetizados" pelo estilo do traço do autor.






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 DIOMEDES

Esta é a edição completa das histórias do detetive de quinta categoria Diomedes, do brasileiro Lourenço Mutarelli. O cara é um ícone do quadrinho escatológico e violento nacional, o traço maravilhoso, aliado com o roteiro irônico, engraçado e "tosco" faz com que estas histórias sejam das melhores que já li de nos quadrinhos. A violência também é constante, principalmente contra o personagem principal que só se fode o tempo todo.






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 A TRÁGICA COMÉDIA OU COMICA TRAGÉDIA DE MR. PUNCH

Esta história de Neil Gaiman com ilustrações de Dave McKean eu considero um conto de terror violento. Por mais que não tenha sangue para todos os lados, afinal, o cruel personagem que dá nome ao livro Mr. Punch é apenas um fantoche de histórias infantis. Um terror psicológico, cômico e trágico como já adianta o título.






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BATMAN - A PIADA MORTAL

Alan Moore é incontestávelmente um dos melhores. Esta é uma de suas incursões roteirísticas no mundo dos super-heróis da DC. A história não tem tanto sangue e pancadaria como a grande maioria dos gibis de heróis, mas a violência psicológica que o Coringa impõe ao Batman é uma das melhores, mais zombeteiras e ácidas que já se viu nas tramas do personagem. Certamente Moore eleva o gênero propondo novas formas de posicionamento quanto á violência.




domingo, 13 de maio de 2012

Sobre Adaptação e Quadrinhos

Certa vez um senhor que assistiu A Cartomante se levantou no meio da peça e se dirigiu à porta de saída. Abri a porta para que ele saísse, mas sem conter sua indignação o rapaz me falou antes de sair: “Pensei que ia ver Machado de Assis, mas fica só nessas brincadeirinhas!”. E na hora eu pensei e não falei: “Mas as brincadeirinhas são o próprio Machado! O jogo com o leitor... o que será que este moço esperava?”.
Isto me fez refletir muito sobre adaptação e sobre o que as pessoas esperam quando vão ver algo adaptado. Bem, sinceramente eu espero ver o “produto” relacionado a linguagem proposta. Se vou ver uma peça de teatro, adaptada da literatura, não procuro literatura de qualidade, procuro TEATRO. A literatura lida é infinitamente melhor do que qualquer peça, filme ou quadrinho adaptado a partir dela.
Por isso que, nas adaptações tento deixar o purismo de lado e ver de fato a obra. A adaptação deve ser interessante para sua linguagem, não “manter” a linguagem original. Logo, espero uma obra instigante como teatro, como cinema, como quadrinho e não uma obra amarrada e totalmente conservadora com sua fonte, caso contrário eu visitaria a própria fonte. “Dito isto, vamos adiante.” (citando o personagem da peça A Cartomante.).




Ao iniciar o processo de montagem da peça, procurei também as histórias em quadrinhos que criaram como adaptação do conto. E qual foi minha decepção ao me deparar com um trabalho que eu chamaria de no mínimo preguiçoso! O quadrinho foi uma decepção total, um quadrinho que reproduz sem tirar nem por o conto, sem modificar ou experimentar nada da própria linguagem do quadrinho, fazendo até o Maurício de Souza parecer vanguarda.

Não faço apologia aqui de deturpação de obras, por mais que eu seja adepto da máxima de que “autor bom é autor morto”, mas tenho outra máxima interessante: “traduttore, traditore” (tradutor, traidor). O artista adaptador as vezes deve trair o adaptado para que transpareça também sua linguagem de artista, veja bem, não é uma questão de ego, é uma questão de desenvolvimento de linguagem artística.
O quadrinho em questão torna-se tão literal e bobo que não entendo por que não ler o conto original do Machado de Assis, que seria muito mais prazeroso. E sem esta história de que o quadrinho introduz o aluno para a leitura, por isso a transposição de linguagens, então me expliquem por que este volume foi lançado em livrarias com caráter comercial e não apenas nos livros didáticos?
Bem... “Pão ou pães, é questão de opiniães.”, caso você que lê esta postagem tenha uma opinião diferente, ou parecida, compartilhe ela também nos comentários deste blog. Será um prazer pensar mais sobre isto e destrinchar um pouco mais esta história de adaptação de linguagens.




Há pessoas que querem “ver” o autor, mas se esquecem que a obra que estão vendo já passou pelo olhar filtrado de outro artista. Isto me faz lembrar novamente o senhor de que falei no início do texto, até hoje me pergunto: Qual é o Machado de Assis que ele vê e qual é o que ele gostaria de ver adaptado? Isto nunca saberei, afinal o Machado de Assis que eu leio não é o mesmo que você lê nem o mesmo que ele leu.