domingo, 25 de março de 2012

Filosofia de Taverna

Como o próprio nome da postagem já diz, isto é uma Filosofia de Taverna. Filosofia de boteco mesmo, não passa de um embuste esquemático de um pensamento falho, que tenta acalmar ansiedades juvenis de um diretor inexperiente em processo.

A ideia é tentar uma explicação associativa entre a geração ULTRA-ROMÂNTICA, de onde provém o Noite na Taverna, com o movimento punk e com as referências brasilienses contemporâneas do Grupo Liquidificador.
A primeira associação é entre Romantismo e Movimento Punk, os dois movimentos tem relação com a revolução, mesmo que em diferentes épocas e diferentes contextos sociais, o primeiro ligado às idéias dos iluministas da revolução francesa, Jean Jaques Rousseau, Locke, Diderot etc, já o segundo apoiado nas idéias anarquistas de Mikhail Bakunin, anti-facistas e anti-consumistas. Do contexto romântico podemos retirar o "slogan" liberte, egalité, fraternité, já dos punks um "slogan" se sobressai: do it yourself. Podemos dizer que os dois movimentos têm vertentes que influenciaram de alguma forma na política e também na música, artes visuais, literatura, música, moda etc.



Partindo de um recorte inglês dos dois casos (Romantismo literário inglês, de Lord Byron e Movimento Punk na música inglesa, dos Sex Pistols) temos uma associação direta com os temas do sado-masoquismo:

Lord Byron (1788-1824) exprimiu o pessimismo romântico com poemas de tons rebeldes ante as convenções morais e religiosas. Seus poemas traziam como temas o sadismo, incesto, satanismo entre outros.

"A dor é dona da sabedoria e o saber amargo. Aqueles que mais sabem, mais profundamente sofrem com a verdade fatal."  (Lord Byron)


O Sex Pistols (1975-1978) inspiraram amplamente o movimento punk na Inglaterra e no mundo. A banda, conduzida pelo empresário Malcolm McLaren, tinha visual inspirado nas roupas sado-masoquistas de sex shop. Inclusive o nome da banda vem da loja de McLaren e de sua mulher, a designer Vivienne Westwood.


Vivienne Westwood vestia o Sex Pistols e outras bandas punk, ficou mundialmente conhecida como a "estilista-punk".Seus trabalhos influenciaram e influenciam o mundo da moda até hoje. Alguns anos após a fase punk, Vivienne fez uma coleção chamada Pirates, com visuais inspirados no romantismo histórico, influenciando bandas como Duran Duran.






Os dois movimentos, na sua corrente inglesa, também influenciaram gerações paulistanas no Brasil, o Romantismo Paulistano (a juventude acadêmica e boêmia, de onde provém nosso ULTRA-ROMÂNTICO Álvares de Azevedo) e o Punk Paulistano (a juventude rebelde, filhos de operários do ABC paulista, de onde provém bandas como Inocentes, Olho Seco, Cólera etc).



Sociedades Secretas X Underground
Os jovens byronianos de São Paulo fundam a "Sociedade Epicuréia", pouco se sabe sobre as ações desta sociedade secreta que supõe-se que Àlvares de Azevedo participava, mas a Epicuréia era muito mais do que uma brincadeira displicente de jovens estudantes. Há os que digam que auto-mutilação, sacrifício de animais e necrofilia faziam parte das práticas desta sociedade tenebrosa. É possível que daí venha todo um documentário de sadismo e de sado-masoquismo narrado em Noite na Taverna.

No underground paulistano o que importava era quebrar regras, tentar ir além do que os anteriores fizeram, fosse em matéria de punk, pós-punk, eletrônicos ou mesmo heavy metal – ou ainda nenhum desses estilos. Inferninhos paulistas faziam os visitantes se depararem de início com cenas como a de uma mulher enjaulada comendo repolho, bebendo uísque no gargalo e soltando uns berros de vez em quando. Estes e outros personagens traziam a primeira impressão ao entrar no antigo Madame Satã, lendária casa noturna paulista. Numa única noite, o Madame Satã era capaz de apresentar atrações totalmente díspares como um desfile de moda, um lançamento de revista, noite de autógrafos de desenhistas, shows de mímica, strip-tease e também das bandas Ratos de Porão, Pin-Ups e outras. "Tudo em uma noite apenas, tudo junto, uma verdadeira salada mista", define Marcelo Leite de Moraes, autor do livro Madame Satã - O templo do underground dos anos 80 .

 Bras-Ilha
Jean Jacques Russo e Renato Rousseau
Jean Jacques Russo e Renato Rousseau - pais e filhos da revolução
Há também uma busca associativa com nossa cidade de origem, com a curta história e com o presente borbulhante desta Brasília que deixa de ser maquete. 
Nos anos 70, o adolescente Renato Manfredini Júnior, consumido pelo tédio de uma cidade por se fazer, se apaixona pelo punk inglês e se junta aos amigos embaixo do bloco para fundar um "movimento" que estouraria nacionalmente. Anos mais tarde, este adolescente, inspirado em Bertrand Russell e Jean Jacques Russeau, tem o nome artístico Renato Russo. O punk brasiliense floresce. Não do subúrbio e da sujeira paulistana, mas do tédio e da solidão de filhos de diplomatas e altos funcionários, burgueses sem religião que não estão afim de viver a mesma vida de seus pais. Daí vem as bandas Detrito Federal, Aborto Elétrico, Plebe Rude, Legião Urbana entre outras.

"Pretorious tem um violão. Renato, o cara que perguntou se ele gostava de Sex Pistols, também. Muller, um baixo Giannini. Seu grande amigo, Fê Lemos, já de volta ao Brasil, espera com ansiedade a chegada da bateria Premier comprada na Inglaterra, direto na fábrica, por seiscentas libras. Os quatro já sabem o que querem: seguir na menos congestionada das estradas, a do punk rock. Não fazem idéia do quanto a jornada pode ser longa, sinuosa e acidentada - e sem possibilidade de retorno. Logo no início do caminho, tropeçam em cadáveres ilustres. Renato entra em estado de choque ao saber da morte de Sid Vicious por overdose de heroína. Liga para o professor de violão, pergunta se ele tinha ouvido alguma coisa. Como assim? Foi numa sexta e ele só soube no domingo à noite, quase 48 horas depois? Chora não só de tristeza, mas de raiva por ter a informação com tanto atraso. E ainda mais no caso de uma notícia tão importante sobre o baixista dos Sex Pistols, 21 anos, ídolo pela postura e pela estética. Gostava tanto dele que tinha batizado de Sid o crocodilozinho empalhado que guardava no quarto. Foi também por causa de Vicious, apenas três anos mais velho, que escrevera com caneta Pitot na parede do quarto: I wanna be a junkie (Quero ser um viciado). Sai de casa e toma uma garrafa de vinho Chapinha. É o primeiro grande porre.
Ao voltar, escreve para a Melody maker. Sob o pseudônimo Eric Russell, queixa-se da cidade: "Nada acontece aqui. Nunca." E do país: "Tudo é disco, Travolta ou samba". Revela a dimensão do impacto da descoberta dos Pistols e do punk: "Nos envolvemos com a música como não acontecia desde os Beatles e os Stones." Atribui o envolvimento ao surgimento de heróis como "Sid, John (Lydon) e o Clash: eles pensavam do jeito que a gente pensava." Afirma ainda que a morte de Vicious só será compreendida depois de alguns anos, como tinha acontecido com Brian (Jones), Jimi (Hendrix) e Gram (Parsons): 
- Alguns vão esquecer, outros não; alguns já esqueceram. Mas, quando é um herói de verdade, ele sobrevive.
Na carta, publicada com destaque na edição de 31 de março sob o título We Could Be Heroes... Until Sid Died (Nós poderíamos ser heróis... até Sid morrer), Russell relata também a sua própria evolução, ao dizer que cresceu "milênios" desde 1975, mesmo tendo ainda 18 anos.
-Não vou perder (ganhar) como Sid fez. Eu vou fazer por ele o que ele fez por mim."
(Trecho extraído do livro Renato Russo - O Filho da Revolução de Carlos Marcelo.)                     


As associações dos punks burgueses de Brasília, ou dos burgueses acadêmicos românticos de São Paulo, ou dos punks junkies da Inglaterra, ou dos boêmios byronistas ingleses, ou dos integrantes da secreta sociedade Epicuréia paulistana, ou dos punks do Underground de São Paulo, ou dos brasilienses consumidos pelo mesmo spleen que os românticos de outrora, são diversas e são todas um tanto irracionais e romantizadas, um blefe que serve para a imaginação sonhadora e criação artística do Grupo Liquidificador.

A nossa busca, é de um espetáculo que faça jus a toda esta história, além de um vômito de amor platônico à Àlvares, Sid, Renato e todos estes boêmios, junkies, escrotos, apaixonados, ULTRA-ROMÂNTICOS que farão parte desta peça liquidificada!

Ultra-romântico em breve...


os sete liquidificados

6 comentários:

  1. Carái, mlk doido! Fazendo o dever de casa direitinho, hein, senhor Fernando?! Adorei o post. Deu uma baita curiosidade de saber o que vai sair daí. Muito sucesso procês ;)

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  2. Huumm.. to louca pra ver essa peça, tantas ideias e rumores, me despertam aguçam a imaginação de algo que pode ser genial ;]

    By Claudinha!

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  3. Esse Grupo Liquidificador é muito bom!! Não vejo a hora de ver este novo espetáculo! Vi a cartomante e amei vocês de cara!

    Raquel Vieira

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  4. War das eine romantische Bewegung?
    Du hat die romantische Seite der Menschen durch seine idealistischen Ziele und die praktische Seite durch den Realismus seiner Mittel angesprochen.
    Sehr Gut!

    Alguém da Alemanha

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  5. Bem se vê a nossa diferença no processo. EU SOU, VOCÊ PENSA! hahaha
    Um arraso essas associações. Muito coisa de gente doente GOSTEI!

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