O trabalho artístico ainda é intenso, mas o sofrimento agora é outro. Pra apresentarmos com dignidade, precisamos antes nos humilhar ao sistema. Sim! Humilhar! O TEATRO É O MEU TRABALHO, É O MEU EMPREGO, É O MEU SUSTENTO. Para podermos chegar aos palcos precisamos entrar profundamente em um trabalho burocrático que, na maioria das vezes, é extremamente incerto: OS EDITAIS
Perdemos, ou ganhamos (não sei) muito tempo concebendo um projeto bem feito, que seja pagável, que seja patrocinável. Temos a todo instante quebrar a cabeça pra juntar algum mérito cultural com algo que seja vendível, tentando não se render ao mercado negro, tentando manter a essência. Ok... É justo que saibamos falar de nossos trabalhos, para que, em palavras, ele seja descrito de forma que saibam que realmente é um extraordinário trabalho. Mas, e o tempo que gastamos pra lidar com as burocracias? E o tempo que poderíamos usar pra trabalhar nos nossos espetáculos?
Patrocínio se parece mais com um prêmio de consolação. Parece que não temos direito de ser pagos pelo nosso trabalho. Parece que não merecemos.
Ok. Sobrevivemos aos editais, aos patrocinadores, aos apoiadores. Eles são sempre bem-vindos.
E o SATED? E o ECAD? O que fazemos com eles? Temos que pagar pra trabalhar! E tudo isso pra que? PRO NOSSO DINHEIRO SER AUTOMATICAMENTE TRANSFORMADO EM PUTAS E COCAÍNA.
"Me desculpe por fazer o meu trabalho. Mas, o senhor, grande senhor uruguaio, poderia humildemente me conceder a cortesia de autorizar meu Grupo a apresentar nosso espetáculo? (...) Ah... Em dinheiro é mais barato?"
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O Grupo Liquidificador foi obrigado a pagar para apresentar um espetáculo com ENTRADA FRANCA.
Ao SATED DF, para que atores pudessem subir aos palcos, foi entregue X em cash nas mãos do Secretário Executivo, que foi direto pro bolso da calça jeans. Digo, "AO SATED".
Quanto ao ECAD, dinheiro que poderia dar mais qualidade ao material artístico do Grupo foi entregue a não-sei-quem(ns), porque todos sabemos que pra outros artistas que merecem esse dinheiro não vai.
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Enquanto isso, eu, quanto artista, não poderia ser de outra forma. Eu jamais conseguiria ser de outro jeito. Não com alegria, não com gozo, jamais com entusiasmo de outro jeito. Eu não tenho escolha. Aposto que outros também não têm. Tentamos é sobreviver às escolhas de poderosos patifes brasileiros.
Adeus. Eu tenho mais o que fazer.
Google Imagens: TO BRAVO
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